LIÇÃO 08 – Nossa luta não é contra carne e sangue|24/02/2019

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INTRODUÇÃO

O tema da presente lição trata dos poderes ocultos das trevas e de como se proteger deles pela força do poder de Deus. Embora o apóstolo Paulo não apresente a origem nem a biografia do príncipe das trevas, ele nos ensina a importância de conhecer as astutas ciladas do nosso Inimigo. O Diabo já perdeu a peleja, mas continua fazendo estrago nesse período entre o início e o final da jornada da Igreja.

I. A INCLUSÃO DO TEMA NO FINAL DA EPÍSTOLA 

Os três capítulos iniciais de Efésios são teológicos, e os outros três são práticos. Uma perfeita combinação de doutrina cristã e dever cristão, de fé cristã e vida cristã. Mas, de repente, o apóstolo Paulo nos surpreende com um “No demais”, encerrando a epístola com um assunto de vital importância: a luta contra o reino das trevas.

1. “No demais…” (v.10a). O apóstolo Paulo parece usar essa expressão para introduzir a conclusão. Isso não é nenhuma anomalia, visto que Paulo emprega essa estrutura em outro lugar (2Co 13.11; 1Ts 4.1; 2Ts 3.1). Essa expressão aparece traduzida como: “Quanto ao mais”, na Nova Almeida Atualizada; e “Finalmente”, na TB (Tradução Brasileira). Mas não devemos perder de vista que o termo paulino significa, literalmente, “desde agora” (Gl 6.17). Que diferença isso faz? Muita. No caso do verso 10, a ideia é de que daqui para frente o conflito contra o reino das trevas será contínuo até o retorno de Cristo. Desse modo, o tema é atual, e a luta da Igreja continua contra as hostes infernais.

2. “Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (v.10b). Jesus disse certa vez: “sem mim nada podereis fazer” (Jo 15.5). Paulo empregou a voz passiva para “fortalecei-vos”. Isso mostra que não se trata meramente de esforço humano, mas da completa dependência do Senhor Jesus. A expressão “força do seu poder” é um enérgico pleonasmo (figura de sintaxe pela qual se repete uma ideia com outras palavras para proporcionar elegância ou reforço à expressão), usado aqui para reforçar a magnitude do poder de Jesus. Esse poder provém do Espírito Santo (Ef 3.16); é a atuação da Trindade na vida da Igreja.

3. O emprego da figura de linguagem. As figuras são recursos linguísticos que merecem atenção especial pela sua beleza e pelo seu papel na Hermenêutica. A anáfora é uma figura de linguagem que consiste na repetição de uma mesma palavra no começo de frases sucessivas com o propósito de enfatizar a afirmação. Aqui encontramos: “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (v.12). Nessa anáfora, a preposição grega, pros, “contra”, é usada cinco vezes para reforçar a ideia de que a esfera principal de atuação do príncipe das trevas não é apenas como muitos pensam: a prostituição e o crime, mas principalmente no reino das religiões; trata-se, pois, de uma batalha espiritual.

II. A DEPENDÊNCIA DE DEUS 

O apóstolo emprega uma metáfora militar para explicar o que subjaz no mundo espiritual que não é possível perceber na superfície. A presença de todas as mazelas na humanidade é real e indiscutível, mas a fonte de toda essa maldade Paulo esclarece nessa seção. Não pode haver vitória sem ajuda divina, e é esse o apelo apostólico.

1. Somente pelo poder de Deus. Nenhum ser humano tem condições de, sozinho, enfrentar os demônios e sair vitorioso. Os demônios existem de fato, mas não passam de um inconveniente diante do poder de Jesus; são entidades destituídas de poder na presença do Senhor Jesus (Mc 1.23-26; 3.11). No entanto, os humanos não podem desafiá-los com suas próprias forças.

2. O revestimento da completa armadura de Deus (v.11a). O verbo “revestir” é o mesmo que a Septuaginta usa para descrever o revestimento de Gideão pelo Espírito Santo (Jz 6.34). A metáfora “toda a armadura de Deus” significa que devemos usar todos os recursos espirituais que Deus nos dá. A armadura completa indica armas de defesa e armas de ataque, uma figura bem conhecida na época, visto que os soldados romanos estavam por toda parte.

3. Os métodos do Diabo (v.11b). Paulo começa aqui a explicar a razão de o crente se fortalecer em Jesus e no seu poder e revestir-se de toda a armadura espiritual de Deus. A expressão “astutas ciladas” é methodeia em grego, que só aparece uma vez no Novo Testamento (Ef 4.14) e cuja ideia é de “esperteza, artimanha, armadilha”. O Senhor Jesus dá, pelo seu Espírito Santo, todos os recursos para o crente entender todas essas astúcias do Inimigo (2Co 2.11). O conhecimento da força do Maligno é uma poderosa arma tanto para o ataque como para a defesa.

III. CONTRA OS PODERES DAS TREVAS 

1. Carne e sangue. O apóstolo começa apresentando a luta interna do cristão: “porque não temos que lutar contra carne e sangue” (v.12a). O termo “carne” tem vários significados na Bíblia, mas a combinação “carne e sangue”, que só aparece três vezes no Novo Testamento (v.12; Mt 16.17; 1Co 15.50), parece indicar um significado físico. Nesse caso, essa combinação diz respeito à pessoa, ser humano, que pode ser o outro ou nós mesmos em conflito interno, no sentido de: “a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (Gl 5.17).

2. Os principados e potestades. Os dois termos aqui, “contra os principados, contra as potestades” (v.12b), aparecem juntos pelo menos dez vezes no Novo Testamento. Os “principados”, archai, em grego, cuja ideia é primazia no poder; as “potestades”, exousíai, denotam liberdade para agir. O apóstolo Paulo emprega o termo tanto para os anjos (Rm 8.38; Cl 1.16) como para os demônios (1Co 15.24; Cl 2.15) investidos de poder. Desse modo, a expressão refere-se a governos ou autoridades tanto na esfera terrestre como na espiritual.

3. “Os dominadores deste mundo tenebroso” (v.12b — ARA). A ARC emprega “os príncipes das trevas deste século”; a TB cita “governadores do mundo destas trevas”; e a Nova Almeida Atualizada mantém as mesmas palavras da ARA. O termo grego mais usado para “príncipe” é archon, que aparece 37 vezes no Novo Testamento, traduzido também como “governador”. É usado para se referir a Belzebu, “príncipe dos demônios” (Mt 12.24).

O apóstolo começa apresentando a luta interna do cristão: “porque não temos que lutar contra carne e sangue” (v.12a). para Satanás, como “príncipe deste mundo” (Jo 12.31; 14.30; 16.11); e, ainda, ao “príncipe das potestades do ar” (Ef 2.2). Mas, aqui, o apóstolo Paulo emprega um termo diferente, kosmokrátor, “senhor do mundo”, de kosmos, “mundo”, e krateo, “dominar”. O uso plural mostra que Paulo não está se referindo ao próprio Satanás, mas às hostes dominantes do mundo das trevas.

4. Os lugares celestiais. O apóstolo acrescenta ainda “contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais”. Parece que aqui Paulo coloca todos esses anjos decaídos num mesmo bojo. A expressão “lugares celestiais” indicada aqui é intrigante. Essas palavras, ou “regiões celestiais”, aparecem em Efésios para designar o céu, onde Cristo está sentado à destra de Deus, onde os salvos estão com Cristo (1.3,20) e onde habitam os anjos eleitos (3.10). Como podem essas hostes infernais estar nas regiões celestiais? Uma explicação convincente é que se trata da esfera espiritual invisível em oposição ao mundo material (Ef 1.3).

CONCLUSÃO

Com base nas palavras do apóstolo Paulo, ficamos sabendo de que existem diferentes classes de espíritos maus que são enumerados aqui como “principados, potestades, príncipes das trevas, hostes espirituais da maldade”. O universo é um campo de batalha e nisso não precisamos enfrentar apenas o ataque de outras pessoas, mas também as forças espirituais que se opõem a Deus e ao seu Povo.

Fonte: www.estudantesdabiblia.com.br

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