LIÇÃO 3 – Não terás outros deuses | 18/01/2015

biblia

INTRODUÇÃO

O primeiro mandamento da Lei, além de anunciar a existência de um Único Deus verdadeiro, proíbe terminantemente a idolatria e o politeísmo. Lamentavelmente, a história dos israelitas foi marcada por esta prática pecaminosa, o que provocou a ira e o consequente juízo divino. Estudaremos nesta lição a definição do termo idolatria; suas práticas nos tempos do Antigo e Novo Testamento.

I – DEFINIÇÃO DE IDOLATRIA

O Aurélio define idolatria como “culto prestado a ídolos” (FERREIRA, 2004, p. 1067). Teologicamente “a idolatria pode ser considerada também o amor excessivo por alguma pessoa, ou objeto. Amor este que suplanta o amor que se deve devotar, voluntária, incondicional e amorosamente, ao único e verdadeiro Deus” (ANDRADE, 2006, p. 220). “Essa palavra vem do grego, “eidolon” que significa “ídolo”, e “latreuein” que quer dizer “adorar”. Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar a veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc., que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos” (CHAMPLIN, 2004, p. 206).

1.1 Antigo Testamento. Quando os israelitas saíram do Egito, com destino a Canaã, Deus lhes deu a Lei (Êx 20; Dt5), que lhes advertia para que não aprendessem as práticas idólatras dos povos de Canaã (Êx 20.2-4,23). Após a conquista da Terra prometida, os hebreus não expulsaram completamente os pagãos como Deus havia ordenado (Jz 2.1-3). Isto se tornou um laço para eles, pois aderiram facilmente ao culto idólatra (Jz 2.11). Nos períodos de apostasia, os profetas foram levantados por Deus para advertirem aos israelitas que se abstivessem do paganismo (I Rs 14.9; Is 2.8,9; 57.5; Jr 1.16). Porém, o povo de Deus não os ouviu, e, por isso, experimentaram, o amargo cativeiro (II Rs 17.1-23; II Cr 36.11-21).

1.2 Novo Testamento. Se a idolatria era combatida com rigor no AT, não foi diferente no NT. O Senhor Jesus condenou o amor à riqueza, que é uma forma de idolatria (Mt 6.24). A recomendação apostólica feita no Concílio de Jerusalém condenou severamente a adoração a ídolos (At 15.28,29). Os apóstolos combateram veementemente o envolvimento dos cristãos com essa prática pagã. Paulo, por exemplo, exortou aos cristãos de Corinto a fugirem da idolatria (I Co 10.14); e condenou a avareza, que também é uma forma de idolatria (Cl 3.5). O apóstolo Pedro e João também condenaram as práticas idólatras (I Pe 4.3; I Jo 5.21).

II – O FASCÍNIO DA IDOLATRIA

Se a Bíblia diz que o ídolo, em si, nada é (Jr 2.11; 16.20; I Co 8.4; 10.19,20) e as imagens de escultura são abomináveis (Is 44.19); pedras de tropeço (Ez 14.3); e vaidades (Jr 14.22; 18.15); por que a idolatria era tão comum ao povo de Israel? Vejamos os dois principais motivos:

2.1 As nações pagãs que circundavam Israel criam que a adoração a vários deuses era superior à adoração a um único Deus. Noutras palavras: quanto mais deuses, melhor. O povo de Deus sofria influência dessas nações e constantemente as imitava, ao invés de obedecer aos mandamentos divinos, no sentido de se manter santo e separado delas (Js 24.14,15) (STAMPS, 1995, p. 446). Por isso, muitas vezes, Deus advertiu o seu povo. No Decálogo, os dois primeiros mandamentos são contrários diretamente à idolatria (Êx 20.3,4; Dt 5.6-8). Esta ordem foi repetida em outras ocasiões (Êx 23.13,24; 34.14-17; Dt 4.23,24; 6.14; Js 23.7; Jz 6.10; II Rs 17.35,37,38). O Senhor Deus ordenou também a destruição dos ídolos das nações que habitavam na terra de Canaã (Êx 23.24; 34.13; Dt 7.4,5; 12.2,3).

2.2 Os deuses pagãos não requeriam das nações vizinhas de Israel o tipo de obediência que Deus requeria. Por exemplo, muitas das religiões pagãs incluíam imoralidade sexual religiosa em seus cultos, tendo para isso prostitutas espirituais. “Essa prática, sem dúvida, atraía o povo de Israel” (STAMPS, 1995, p. 446). Por isso, muitas vezes, o povo de Israel deixou de servir e adorar ao Único Deus Verdadeiro (monoteísmo) e passou a prestar culto a outros deuses (politeísmo), como podemos ver em (Êx 32.1-18; II Rs 17.7-23; Is 1.2-4; Jr 2.1-9). Por intermédio dos salmistas e profetas, o Senhor Deus não apenas condenou as práticas idólatras, mas, também demonstrou que os ídolos são vãos e inúteis e não podiam garantir a Israel o que eles almejavam (Sl 115.4-8; 135.15-18; Is 44.9-20; 46.1-7; Jr 10.3-5).

III – FORMAS DE IDOLATRIA

NOMEDEFINIÇÕES, EXEMPLOS BÍBLICOS E REFERÊNCIAS
AngelolatriaÉ a adoração aos seres angelicais. Escrevendo aos colossenses, o apóstolo Paulo condenou esta forma de idolatria (Cl 1.18). Os anjos são criaturas de Deus (Sl 33.6; Ne 9.6); são enviados por Deus para servir aos santos (Dn 6.22; Hb 1.14); e são nossos conservos (Ap 22.9). Por isso, não devem ser objetos de adoração (Ap 19.10).
AutolatriaA palavra autolatria é formada por dois vocábulos gregos: autos, que significa “a si mesmo” e latria, que quer dizer “adoração”. Logo, autolatria significa “adoração a si próprio”. Esse tipo de idolatria também é conhecida como egolatria. Encontramos alguns exemplos na Bíblia, tais como: Lúcifer (Ez 28.11-19; Is 14.12-14) e o rei Nabucodonosor (Dn 4.29,30; 5.5.18-21).
AvarezaA Bíblia ensina claramente que a avareza, ou seja, o amor ao dinheiro é idolatria (Cl 3.5). O Senhor Jesus ensinou que ninguém pode servir a Deus e a Mamom, que é o deus da riqueza (Mt 6.24). E, o apóstolo Paulo diz que o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males, e que os que querem ser ricos caem em muitas tentações e concupiscências (I Tm 6.9,10). Por isso, o cristão pode até ser rico, e possuir muitos bens, mas, jamais deve amar o dinheiro e a riqueza!
MariolatriaÉ a adoração à Maria. Ela é venerada como “mediadora”, “advogada”, “intercessora”, “mãe de Deus”, “sempre virgem” além de outros títulos absurdos. Mas, a Bíblia declara que só existe um mediador entre Deus e os homens (I Tm 2.5) e um advogado junto ao Pai, Jesus Cristo (1Jo 2.1). Somente Ele foi concebido sem pecado (Hb 7.26) e jamais pecou (Hb 4.14,15).
ZoolatriaÉ a adoração a animais (Êx 32.1-18; Rm 1.23). Este tipo de idolatria pode ocorrer de duas formas distintas: (1) A adoração a animais, como se eles fossem reencarnações ou manifestações de divindades, como na Índia, onde a vaca, o macaco, o elefante e até mesmo os ratos são reverenciados como deuses; (2) entre aqueles que, apesar de não prestarem cultos aos animais, os têem em grande estima, a ponto de tratá-los como se fossem seres humanos, ate os chamam de filhos.

IV – PORQUE NÃO DEVEMOS ADORAR A ÍDOLOS

4.1 Porque Deus é uno. Apesar de a Bíblia mencionar a existência de deuses estranhos (Gn 35.2); novos deuses (Dt 32.1); e deuses fundidos (Êx 34.17); ela é enfática em revelar o monoteísmo, ou seja, a existência de um Único Deus verdadeiro, que subsiste em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 3.16,17); e que deve ser o objeto exclusivo do amor e obediência (Dt 6.4; Is 42.8; Mc 12.29,32; Jo 17.3; I Co 8.4,6). Estes e outros textos das Sagradas Escrituras também tornam-se a base da proibição da adoração a outros deuses (Êx 20.2; Dt 5.6-9).

4.2 Porque Deus é espírito. Sendo Deus um ser espiritual (Jo 4.24), Ele não está sujeito as limitações às quais estão sujeitos os seres humanos dotados de corpo físico. Ele não possui partes corporais e não está sujeito às condições de existência natural. Logo, é impossível que uma imagem possa representar sua glória e majestade. Além disso, Deus é transcendente e insondável, ou seja, Ele ultrapassa a compreensão humana, e, por isso, não pode ser representado por um ídolo feito de madeira, prata ou ouro (Is 40.18,25; 46.5). Por isso, Deus proibiu terminantemente que os israelitas fizessem imagem de escultura (Êx 20.4; Dt 4.15,16; 23-28; 5.8,9).

4.3 Porque adorar a ídolos é cultuar aos demônios. A Palavra de Deus nos revela que quem oferece sacrifícios aos ídolos, oferece aos demônios (Lv 17.7; Dt 32.17; II Cr 11.15; Sl 106.37; I Co 10.20,21). Por trás das imagens de escultura existem entidades demoníacas que ouvem as preces dos fiéis, e até operam favoravelmente por eles, com o intuito de aprisioná-los cada vez mais na idolatria. Eis o porquê de tantas pessoas pagarem promessas nos denominados “dias santos” e nas festividades dos padroeiros. Satanás, como “deus deste século” (II Co 4.4) tem poder para realizar benefícios físicos e materiais com intuito de enganar as pessoas (Ap 13.2-8,13; 16.13,14).

CONCLUSÃO

A Palavra de Deus proíbe terminantemente a adoração a outros deuses. Este mandamento foi ordenado não apenas no Decálogo, mas, em toda a Bíblia. O povo de Israel não atentou para este mandado divino, e, por isso, sofreu as devidas consequências. Ainda hoje, muitas formas de idolatria são praticadas no mundo, como a angelolatria, mariolatria, zoolatria, além de outras. Mas, jamais devemos adorar ídolos, pois, Deus é Único, é um ser espiritual e quem adora a ídolos, na verdade, está adorando aos demônios.

REFERÊNCIAS

  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • ANDRADE, Claudionor Correa de. Dicionário Teológico. CPAD.

 Ev. José Manoel de Souza – ADIÇARA – 2015

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